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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Alma inquieta

Ana estava deitada a todo o comprimento do sofá de barriga para cima e de perna traçada. Segura um livro com ambas as mãos à altura dos olhos. Num primeiro contacto com o livro fazia uma leitura na diagonal, demorando-se um pouco mais nos primeiros parágrafos deste ou daquele capítulo cujos títulos se mostravam mais sugestivos.

 

Leonor, alma inquieta,  ziriquitava por ali querendo conversa.

 

- Estou a lembrar-me de uma parábola… aquela do mestre e do discípulo em que o discípulo não ata o cavalo e o cavalo foge… sabes qual é? – pergunta Leonor.

 

- Não. – responde a Ana, continuando a sua leitura.

 

- Sabes sim! … Aquela em que o discípulo deixa o cavalo sozinho e o mestre diz-lhe “tinhas que o ter atado”… esqueci-me… não sabes?

 

- Não.

 

- Eu sabia… agora já não me lembro muito bem, mas havia um mestre e um discípulo que tinha um cavalo que o deixou fugir porque não o atou durante a noite… bom, isto para concluir que…- as parábolas têm uma moral não é?  - existem entidades superiores que te ajudam mas que só podem ajudar-te se fizeres metade do serviço porque lá na dimensão onde elas existem não podem fazer laços para o cavalo não fugir ou preencher o totoloto para ganhares o totoloto. Percebes?

 

Ana já sabia que muitas das perguntas da Leonor eram retóricas e por isso não respondeu. Ela tinha o costume de falar alto para arrumar ideias soltas. Era uma espécie de arrumar livros na estante pelas grossuras da lombada.

 

- … daí que o discípulo tinha que ter atado o cavalo para que deus não permitisse que ele fugisse. Já te lembras ? – continuou Leonor.

- Não. – Ana passava agora os olhos pelo índice remissivo.

Leonoreta


publicado por leonoreta às 20:06

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7 comentários:
De António a 7 de Dezembro de 2007 às 21:43
Querida Leonor!
Ana e Leonor estão, como habitualmente, com atitudes diferentes perante grandes e pequenos pormenores da vida.
Ao ler a parte final do texto lembrei-me que "é muito importante ter sorte, mas isso dá muito trabalho...".

Beijinhos


De almapater a 7 de Dezembro de 2007 às 23:31
é. Tem razão. Vc sabe. Só se vencem as portas que estão abertas. E, doa a quem doer, a culpa da porta aberta, é sempre de quem não teve o cuidado( sabedoria, atenção, dever, requinte, qualidade, beleza etc etc, )de a fechar.
tenha umas boas férias.


De lena a 8 de Dezembro de 2007 às 18:19
também gosto de vir aqui ninha amiga e lida

é como se te viesse sentir de novo

a vida tem destas partidas a sorte está ao lado do azar

a porta abre, mas está fechada tantas vezes, mesmo querendo ...


beijos muitos para ti e a saudade bate sempre, por ti, de te ler, de te sentir

abraço-te

lena




De Daniel Aladiah a 9 de Dezembro de 2007 às 16:12
Querida Ana.. é Bela a tua história... porque é inteligente, não sei se sabes porquê... mas é!
Festas felizes!
Um beijo
Daniel


De pedro alex a 12 de Dezembro de 2007 às 17:26
Porque é que a Divina Providência não o lembrou de algumas obrigações?
A culpa é do Mestre,o povo, que é quem mais ordena, nem sempre tem cabeça para tudo:)
Bj


De heretico a 14 de Dezembro de 2007 às 23:53
atar o cavalo? que destino trágico.!,,,
... e remissivo. sem dúvida.


De alexiaa a 19 de Dezembro de 2007 às 20:27
Ando aqui há que tempos para comentar este texto. Tenho dificuldade em decidir que aspecto queres ver salientado pelos teus leitores e não me consigo concentrar na mora da tua parábola:).
O que mais me suscita interesse é a Leonor a “ziriquitar”, não sei porque mas é uma imagem que sinto como muito…intensa:) e que adivinho como entontecedora!

Beijinho, tenho um cavalo para atar e não posso distrair-me por aqui:)



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