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Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Voltei a ler

Voltei a ler.
Isto é, voltei a ler coisas  como  ficções, daquelas que não são verdade mas que até podiam ser e, numa linha ou noutra, encontramos algo de semelhante com a nossa vida.
 
A Maria, a minha colega da sala ao lado emprestou-me  “Tréguas” de Mário Benedetti. Gostei muito sim senhor. Aliás, já o tinha dito.
Mas agora a pausa à espanhola acabou-se e senti –me obrigada a voltar às pedagogias, ao aluno ideal, ao professor ideal, ao ensino ideal, ao ministro ideal, ao ordenado ideal.
 
Na segunda feira, entreguei o livro de Benedetti à Maria com algum pesar.
- Gostaste? – perguntou-me ela
- Sim. Muito.
- Vou arranjar-te outro. Ainda estás a precisar.
 
E no dia seguinte, a Maria entrou na minha sala, que está sempre de porta aberta a qualquer invasão, infantil ou adulta, e deu-me em mãos um novo livro, desta vez mais grosso que o anterior: a vida de PI de Yann Martel.
 
- Para ver se acreditas em Deus de uma vez por todas. – disse-me ela.
 
Será possível que o meu niihilismo seja assim tão evidente no meu olhar, no meu andar, nos meus gestos… porque de boca não digo nada. Ou se digo, não noto.
 
A vida de Pi.
Já passei as páginas de apresentação. As mais chatas de qualquer livro. Já entrei na acção. Estou a gostar. O herói é tão indefeso quanto eu. Não vou conseguir lê-lo até ao fim. A grossura da lombada mete respeito e as letras são pequenas. A Maria é professora contratada e vai-se embora daqui a pouco da escola. Fiquei com o mail dela mas sei que nunca mais vou vê-la. Ou então, se a encontrar vai ser por acaso.
 
 
Leonoreta
 

publicado por leonoreta às 19:56

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6 comentários:
De António a 20 de Março de 2008 às 12:45
Querida Leonor!
Este post poderia chamar-se: "Conversa de xaxa"...ah ah ah.
Eu digo isto porque sei que não levas a mal.

Beijinhos


De leonoreta a 22 de Março de 2008 às 21:13
ola antonio
nem sempre temos a imaginação á medida dos nossos leitores. e, contudo, que pena isso me dá. poderia conformar-me com um cliché e tudo se arrumava para a próxima. nao levo a mal, mas nao me conformo que o meu texto nao te tenha agradado.
beijinhos


De almapater a 22 de Março de 2008 às 15:21
Com mais ou menos luz, mais ou menos contemplação, mais ou menos quietude, há um Santomé, na minha vida, na sua vida, na vida da vizinha da frente. As letras, os sons, o sol da manhã nos dias de Novembro, o vente agreste nas praias desertas do atlântico a norte, são tantas vezes a Laura da nossa vida.
Não sei se vc não lerá o livro, porque a Maria vai embora. Afinal, custa 18 euros, e uma profissão de fé, valeria bem o investimento. Realmente, a questão é que o seu PI, aquele que vive em si, navega não há 7, mas há 70 ou tantos mais, as aguas (solitárias) dos mares da busca continua. Ahhh, e vc sabe, no seu ateísmo escondido, que antes de todos os outros, pouco lhe interessa a cor do Deus. Afinal, all we need is love, vista-se o Deus das cores que se vestir…
E também é verdade. Há tantas Lauras na nossa vida. Umas por um segundo de um olhar trocado no metropolitano, outras por um ano de trabalho de porta ao lado. Mas todas as Lauras, partem um dia. Mesmo que se chamem Maria. Bom mesmo, é que cada tempo de partida, é um espaço aberto à chegada…
Deixo-lhe de Benedetti:

Preciso tempo necessito esse tempo
que outros deixam abandonado
por que lhes sobra ou já não sabem
o que fazer com ele

tempo
em branco
em vermelho
em verde até em castanho-escuro
não me importa a cor
cândido tempo
que eu possa abrir
e fechar
como uma porta

tempo para olhar uma árvore
para morrer um pouco
e nascer em seguida

preciso tempo o necessário para
chafurdar umas horas na vida
e para investigar porque estou triste

Tempo para estar em dia
e para estar na noite
tempo sem recato e sem relógio

vale dizer preciso
ou seja necessito
digamos me faz falta
tempo sem tempo

Do livro "Inventário"


De leonoreta a 22 de Março de 2008 às 21:21
ola almapater
agradeço-lhe o comentario. admiro a sua análise como sempre certeira. realmente poderia comprar o livro. nao é por uma questao de sovinice que nao o faço. é que no emprestimo ou na dadiva está presente a pessoa que o fez e como o fez. é uma especie de personificação de folhas de papel cuja mensagem escrita e tambem oral.
nao costumo preferir a poesia á prosa por aquela se mostrar muito dificil em metaforas. mas gosto de poesia quando ele, inevitavelmente não se impo na sua compreensao. no meu entender isso faz de um poema... bom.
este é lindo e gostei muito da oferta.
beijinhos


De Anónimo a 22 de Março de 2008 às 15:26
DEsculpe, uma nota. Com todo o respeito pela opinião do António. Este Post, não tem nadinha de xaxa. É brilhante como sempre. Reflecte, bem, que este Março, não é marçagão. É bem Janeiro, sem luar nenhum.


De leonoreta a 22 de Março de 2008 às 21:24
caro anónimo
ainda ontem me zanguei com a primavera, dizendo-lhe, olha la ó rapariga, então tu vens assim de impermeavel transparente de vestido esfarrapado pelo vento?
vinha desgrenhada, com ar triste. animei-a e abriguei-a debaixo do meu chapeu de chuva.
abraço


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